O que aparenta ser uma bebida banal do quotidiano é, na verdade, o reflexo de uma enorme riqueza botânica. No cenário mundial, existem várias espécies de grãos de café. Contudo, apenas quatro se destacam.
O mercado global é liderado pelo Arábica (Coffea arabica), cuja sofisticação o torna a espécie mais apreciada. O cultivo em altitudes elevadas confere-lhe um perfil refinado, marcado por um nível de acidez vibrante e notas que variam entre o floral e o achocolatado. É, por isso, a escolha perfeita para quem procura maior complexidade e um menor teor de cafeína. Em contrapartida, o Robusta (Coffea canephora) destaca-se pela sua intensidade e sabor marcante. Com um perfil terroso e que remete ao chocolate amargo ou à avelã, possui um elevado teor de cafeína, sendo a escolha ideal para quem prefere uma bebida mais encorpada e energética.
Entre os grãos mais raros, encontramos o Liberica (Coffea liberica). Caracterizado por folhas e frutos de grande porte, apresenta um perfil aromático invulgar, com notas de frutos tropicais e toques amadeirados, resultando numa acidez muito reduzida. Por fim, o Excelsa (Coffea liberica var. dewevrei) é considerado uma subvariedade do Liberica. Com um perfil mais exótico, onde sobressai uma mistura de sabores frutados, florais e picantes, é bastante utilizado para conferir profundidade e complexidade a blends premium.
Não te esqueças: da próxima vez que saboreares uma chávena de café, lembra-te que estás a degustar séculos de história e a riqueza subjacente a um vasto património cultural.